Denise escreve

fevereiro 5, 2010 · 4 Comentários

Fiz 27, cortei o cabelo e sabe o que eu descubro? Que a nossa eterna Sandyejúnior fez isso também. Completou 27 anos dia 28 de janeiro e resolveu apostar num visual mais curto, assim como eu. Cortamos o cabelo no mesmo dia. Estamos em sintonia. ¬¬

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Aliás, pra atestar que até hoje eu só tinha cabeleireiro ruim, cortei o cabelo mais curto e ele não armou. NÃO ARMOU, BRAZIW! Passei anos, anos e anos ouvindo que nada podia ser feito nas minhas madeixas, permitindo que profissionais de meia tigela o cortassem “fio reto”, naquele assassinato ao movimento, ao estilo e às novas possibilidades.

Desde o ano passado comecei a arriscar um pouco mais nos cortes. Um amigo querido de Londrina (O Xexé) me passou confiança o suficiente pra começar testar novas possibilidades e foi aí que percebi que meu cabelo não era tão terrível quanto pintavam por aí. Era preciso cortar, era necessário conhecimento e técnica pra deixá-lo bonito. E aí, um tempão depois (buscando muita coragem), cá estou, de cabelos nos ombros, a nuca à mostra, com vontade de cortar mais. Pode?

(aqui em Curitiba cortei o cabelo com a Kizzy, a maravilhosa integrante da família Moreira, que além de belíssima, é ótima profissional)

novo visu, mais curto e mais feliz

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Falando em aniversário que passou, que delícia de festinha! Uma reunião gostosa de amigos diferentes, onde todo mundo papeou, conheceu, deu risada e comeu junto, naquela misturança que foi nachos com chili, barquetes ligths, coxinhas de frango, brigadeiro, beijinho e bolo.

feliz da vida na hora do parabéns

Num misto de improviso e cooperação, as coisas deram certo! Tinham amigas enrolando o brigadeiro enquanto a festa já acontecia na sala, outra ajeitando os salgadinhos em bandejas, os fumantes bem bonitinhos na sacada do apartamento, as bebidas que nunca paravam de chegar, entre novos conhecidos, gente querida perto e muito carinho! Sem contar na participação *mais que especial* do casal Gresiela e Ale, que vieram de Sampa, logo após o expediente de sábado, pra chegar direto pro festerê.
Não tem como não se sentir especial, né?
<3

<3

amigos daqueles raros, difíceis de encontrar por aí

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Nestes dias de calor intenso, sol forte, dias lindos e manhãs inspiradoras, qualquer coisa diferente de praia e piscina se transforma numa tortura.

Uma coisa que não vou entender nunca é porque as pessoas continuam a usar calças em pleno verão escaldante do Brasil. São oito horas da matina e as mulheres optam por uma CALÇA no  guarda-roupas. Uma calça, gente! E o pior, jeans colante, só pra poder passar mais calor e pra encher o nosso saco de que está muito, mas muito quente.
¬¬

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As questões trabalhísticas

janeiro 27, 2010 · 3 Comentários

Quando somos adolescentes, o nosso maior desafio é o vestibular. Aquela loucura pra saber “o que eu quero ser até o fim da vida”, a prova terrível, os estudos intermináveis, os japoneses que nós odiamos devido as suas facilidades nas matérias de exatas. Achamos que este é o desafio mais *foda* da vida, sem ter nem ideia do que virá nos anos seguintes.

Com este conceito de que “é no trabalho que a gente se realiza”, fadamos (dá pra dizer isso?) milhares de pessoas a se sentirem frustradas com a vida que levam. Esquecemos que trabalho é trabalho e se aquilo fosse para nos deixar realizados, com a vida naquela sensação de prazer infinito, faríamos sem o contra-cheque no final do mês. Trabalho é lugar de ganhar dimdim pra pagar contas e os prazeres e não a fonte do nosso prazer. Isso é assunto pra 10 cervejas no bar, aquela coisa.

Como sempre, ando pensando no tema. Naquela nossa obrigação absurda de ser sempre muito feliz, de estar sempre realizado, de fazer o que gosta, ganhar rios de dinheiro, ser muito bom e ainda, matar um leão por dia. No embalo do vestibular (que você tem que disputar vagas com outros 500), depois o estágio *dos sonhos*, mais aquele emprego que você ganha uma merreca “mas conta no currículo”, além de trabalhar pra mil projetos de graça, outros tantos que falam que vão nos pagar e não pagam, enfim… a gente passa a repensar no que realmente quer e o que realmente é importante.

Talvez amadurecer antes da hora seja realmente uma droga. Chegar àquela conclusão dura da vida, de que não há dinheiro que pague nosso bem estar, é complicado. Descobrir antes dos 30 que você não quer matar um leão por dia e que, se for pra competir com gente suja, prefere nem dar a largada, é outra. Que por mais que você se esforce muito, pague com seus finais de semana, horas de sono, feriados, humor e disposição, a promoção não vem. A firma te engana, seu superior é uma porta, o lucro chega, mas ainda assim, seu currículo recheado não vale muita coisa. É de matar o caboclo.

Uma época, quando eu ainda acreditava que a vida de executiva era *dos sonhos*, participei de um programa de trainee de uma loja de departamentos, cujo salário inicial era superior ao piso regional do jornalista, mais auxílio moradia, alimentação, academia e lavanderia pagos. Viagens de avião para ver a família uma vez por mês, telefonemas diários, se preciso for, entre outros benefícios sedutores. Pra trabalhar, sem brincadeira, 12h por dia, não ter vida, amigos e pique, além do trabalho, vender produtos fabricados na china num regime de semi escravidão e achar que ganhou na loteria com um empregão desses. Não é de achar estes caras geniais por conseguirem candidatos a este tipo de vida?

O que realmente importa e o que realmente dá sentido à nossa vida? Será que é necessário de fato trabalhar tudo isso para chegar aos 40 anos e perceber que não valeu a pena, que você pagou com sua disposição e juventude, ganhou dinheiro, ok, mas não é feliz? Que você ficou caro para o mercado, que com seu salário pagam dois jovens de 22 anos dispostos a trabalhar 13h por dia, que seu trabalho não muda o mundo nem o faz ser um lugar melhor de viver, aquela coisa…

Ficam as questões, além de tantas outras que rondam a minha cabecinha. Faço 27 no sábado. Boa sorte pra mim.

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Sobre ser jornalista hoje

janeiro 18, 2010 · 7 Comentários

Quando perguntam qual é a nossa profissão e a gente responde “jornalista”, tem gente que nos acha pertencente de um mundo mágico, misterioso, cheio de glamour e aventuras sem fim. É claro que os mais realistas têm é dó da gente, que ganhamos a vida inteira um salário de só pagar as contas e nunca nem trocar o carro, mas enfim, é o que temos.

Quando eu fui fazer jornalismo – e nem faz tanto tempo assim – o jornal em si já era uma porcaria, a TV também e notícia mesmo, aquela investigativa, a gente via uma vez por outra nas revistas semanais ou no Fantástico. A Carta Capital ainda fazia as vezes de jornalismo “mais sério e menos vendido”, mas isso também morreu depois que o PT foi pro poder. Eu não pirava em ser aquela repórter que questiona políticos, que vê a garotinha sendo salva pelo bombeiro, que reclama no jornal do buraco na rua nem do envolvimento de deputados com o tráfico de drogas. Na verdade, ninguém *neste Brasil* está lá interessado em mudar o mundo, em saber da verdade, em ver político passando mais de 10 dias na cadeia. Ta todo mundo levando a sua vida, ganhando seu saláriozinho, fazendo churrasco uma vez por mês e viajando quando dá.

Escutei milhares de vezes que éramos uma geração bunda-mole, que não havia lido os clássicos, que não protestávamos, que a gente não pintava a cara e saía na rua pra tirar um Arruda da vida do poder. No final do mês eu faço 27 anos e já constatei aqui que jovem-xófem eu não sou mais. A minha geração já perdeu o seu momento de “fazer alguma coisa” (entre aspas, é claro) e os jovens de 16 anos, aqueles nascidos em 1994, é quem tem esta preocupação agora. Eu escutei de gente de 30, 35 anos, que nós, os jovens, não fazíamos nada. É sempre o que não faz empurrando pro outro fazer – chegou a minha vez! A impressão que dá é que jovem de 18 anos é quem paga imposto de renda, que sabe que 27,5% do que se ganha vai pro governo, que se paga IPVA e IPTU, mais imposto sobre tudo, enfim… e que eles é quem deviam reclamar. Ahãm.

Sucateado por anos, o jornalismo nos anos 2000 transformou-se naquilo que os revolucionários de 68 mais temiam: num bando de matérias mais vendidas do que nunca, numa crítica meia boca, numa opinião sem graça e de gente bundona. Desde que comecei a conhecer profissionais do jornalismo, todos os bons jornalistas não estavam trabalhando em jornais (com raríssimas exceções) e sim, nas assessorias, que pagavam melhor, entre outros benefícios. Que ninguém nem fala um “A” quando o chefe manda entrevistar cliente, ou deixar quieto tal assunto lá da prefeitura, o pensamento de que “isso aqui não faz diferença alguma” impera. E se você acha que não, ok, bom pra você.

O que temos visto por aí, todo dia impresso em papel jornal, não é jornal, assim como o que milhares de jornalistas fazem todo dia não é jornalismo. No final das contas, aquela coisa de dizer que “entrou no curso de jornalismo porque gostava de escrever” acabou reinando. Nós escrevemos, coisa que pouco tem a ver como jornalismo em si. Quando eu estava na faculdade ainda existia a discussão se “assessoria de imprensa era ou não jornalismo” e tempos atrás, ouvi uma estudante comentar que ela era a única na sala dela a defender que assessoria não era jornalismo. As pessoas hoje entram no curso de jornalismo sonhando em ser assessor de imprensa, vê se pode!

(e os sensatos concordam, assessoria de imprensa NÃO É JORNALISMO e outra, assessor de imprensa é um trabalho muito digno, só que não faz jornalismo)

Daí quando acontecem coisas como esta aqui do Mário Bortolotto (Post do dia 16/01/2010, chamado Jornalismo Mauricinho), se questiona o papelão do jornalista, do jornal mimado, das notícias sem fundamentos publicadas pra todo mundo ler. Você acham MESMO que isso aí é fazer jornalismo? Então tá, o coelhinho da páscoa vai te trazer ovos este ano.

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Viver na terra do nunca

janeiro 14, 2010 · 3 Comentários

Quando eu era criança, uma das coisas que eu mais queria na vida era ser adulta. Poder fazer o que quiser, não dar satisfação pra ninguém, não ter horários, ter a minha própria casa, só comer quando eu estava com fome. A gente nunca sabe o que é necessário para ter este tipo de liberdade. Simplesmente, acredita que querendo, as coisas vão acontecer.

Antes da independência financeira, precisamos também de uma independência pessoal, psicológica, aquela coisa de que você dá conta de você mesmo, se preciso for. Meus pais me davam pequenos desafios, sem nem perceber que contribuíam para treinar meus pensamentos: viajavam e me deixavam cuidando da casa (eu adorava ter a casa inteira só pra mim), me deixavam cuidar dos meus próprios problemas na escola (e eram muitos, eu era terrível!), permitiam minha vida de atleta em cidade pequena (e todas as responsabilidades que é fazer parte de um time que viajava a cada 15 dias) e por aí foi. O tempo foi passando, fui acrescentando anos e vivência, a vida aprontou inúmeros desafios e lá vamos nós.

Embora “em treinamento”, ninguém nunca havia me dito o quanto custava ser dona do meu próprio nariz. Que, para comprar roupas, sapatos e algum objeto de desejo (no meu caso, uma câmera fotográfica) eu teria de separar o salário de R$ 341 reais em saquinhos, dividindo comida, lazer, poupança e roupas. E olha, por 10 meses eu separei 150 reais deste valor e aí, em junho de 2004, consegui arrematar a tão sonhada máquina, mais 5 cheques de R$ 100 que paguei nos meses seguintes. E eu já tinha 21 anos, trabalhando desde os 17 e reclamando quando minha mãe comprava tênis e roupas para os meus irmãos e em algumas vezes, eu tinha que pagar os meus com o meu dinheiro. (afinal, eu trabalhava)

Aos poucos a gente vai entendendo o que é crescer de verdade e acho que um dos sinais é quando você não consegue achar mais cara pra pedir R$ 20 pra sair à noite. Daí enfrenta aquela contagem de moedas para comer um sanduíche na rua, opta por voltar à pé a pegar um ônibus (pra economizar R$ 2), mora com mais outras trocentas pessoas porque é o único lugar que pode pagar com o seu dinheiro, engole 35 sapos por dia pra poder suportar os dias melhores que virão. Faz trabalhos por pouco dinheiro, aceita as coisas mais absurdas, come o que dá e o luxo do mês é comer um trio do Mc Donald’s. Dias melhores virão.

Saber se virar com pouco dinheiro é o malabarismo do brasileiro e quando a gente passa a ter noção do preço das coisas é também um dos passos do crescimento pessoal. Revê todas as marcas que a mãe comprava (‘Será que só o Omo é que é bom mesmo? Ele é o mais caro de todos!’), pesquisa em 20 lugares antes de comprar uma blusa de 30 reais, se pergunta 28 vezes se precisa MEEEESMO daquela sandália nova e assim por diante. Eu já morei com duas garotas em tempos diferentes, que não sabiam o que eram delas na dispensa porque a mãe mandava suprimentos mensais. Ok, é uma maravilha para os filhos e também para os pais, que se sentem menos culpados com a cria fora de casa, mas quando é que elas iriam saber quanto custa um pacote de macarrão e porque não deviam deixar estragar parte do que era mandado pra elas?

Todo mundo tem um pensamento idêntico ao meu aos sete anos: ser dona do nariz, poder fazer o que eu quiser, ter os meus horários, hábitos e conquistas. O único detalhezinho é que pra conquistar liberdade (financeira, pessoal, amorosa) a gente sua pra caramba. Bate a cabeça, tropeça inúmeras vezes, chora, se sente perdida, faz contas, fica frustrada, engole sapos, convive com gente chata, fica doente sem ter mãe pra cuidar, faz escolhas erradas, sofre, liga pra mãe chorando, etc e tal.

É vivendo que a gente aprende pra não repetir os mesmos erros, vai ganhando jogo de cintura e amadurecendo. Não quero dizer que depois de ‘crescer’ a gente deixa de errar, deixa de pedir colo, de engolir sapo ou de fazer continhas para saber se o salário vai chegar no final do mês. Mas é bom demais ver que a vida não depende de mais ninguém a não ser da gente mesmo. Crescer vale a pena.

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Mais perto dos 30 do que dos 20

janeiro 11, 2010 · 2 Comentários

Há finais de semana que são para sair, outro para ficar na toca. Tem dias que a gente se anima até para ir comprar pão na esquina, em outros, nem sai do “colchão na sala” nem pra ir tomar um sorvetinho (de açaí, na Aquárius, do Bacacheri). E a primeira semana “na vida de volta” passou, dois dias quase inteiros dentro de casa, já que o mau tempo e a chuva constante não animam ninguém.

Na sexta, assistimos em casa o “Julie e Julia”, um filme ótimo que ainda está em cartaz, mas também já disponível nesta belezura que é a internet. Filme de bons personagens, história ótima, atuação de babar da Meryl Streep, além de mostrar dois ótimos casais em cena – que mostram uma boa vida a dois. Gostoso de ver.

Terminado o filme é hora de pensar na vida. O que a gente realiza ao longo de um ano? Quais são os nossos reais objetivos na vida? No dia 31 de dezembro de 2009, depois de um dia delicioso, passeando pelo Farol de Santa Marta, estávamos eu, o Cássio e o Kaká preparando a nossa “ceia” de ano novo (tender com molho ‘pronto’ de maracujá, arroz com lentilha e saladinha) e pensando na vida: o que fizemos em 2009?

Depois de muito reclamar da falta de tempo que nos abateu no ano passado, concluímos que foi um ano para ganhar alguns quilos, ver menos amigos, não aprender nada de novo e sentir-se meio frustrado por tudo isso ter acontecido, sem esquecer do inverno rigoroso, que matou nosso ânimo. (apesar de que, pra mim, muita coisa nova aconteceu: um relacionamento delicioso, uma casa só minha além dos meus empregos novos também)

Depois de ver o Julie e Julia, fiquei tentada a pensar num projeto decentemente, executá-lo, deixar ser conduzida por esta motivação que nasce e nos encaminha para novas ideias. Pode ser cozinhar para os amigos uma vez por mês, fotografar todos os pontos turísticos da sua cidade, pode ser ler todas as revistas de fotografia que vc ganhou e praticar algumas dicas de lá, entrevistar gente que chegou aos 80 anos com saúde, fotografar o canto preferido de gente legal, enfim…

No final do mês faço 27 anos. Tenho pensado na idade, nas mudanças, no que está para acontecer. Quando criança, pensava que em 2010 já usaríamos roupas prateadas, carros voadores e teríamos a Rose para fazer as tarefas domésticas. Ao mesmo tempo que sinto “o tempo”, percebo que ele passou voando, assim como todo mundo disse que aconteceria depois dos 18 anos. A coisa boa de ter amigos mais velhos que é sou sempre uma “menina” para todos, que ainda tenho a vida toda pela frente e que muito está para acontecer. Estou mais próxima dos 30 do que dos 20 e isso é uma coisa muito boa de se pensar.

E quem é o louco que quer ter 20 anos de novo? Deus me livre.

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Medo: quando tudo está dando certo

janeiro 6, 2010 · 4 Comentários

Acostumados a enfrentar dificuldades, viver driblando a crise e sendo feliz quando dá que nós estranhamos quando tudo vai bem. É até complicado afirmar que tudo-tuuuudo vai bem, mas é uma questão de perspectiva. Minha vida pessoal vai bem – mas tenho visto pouco os amigos, minha família terá um bebê daqui uns meses – mas ainda enfrentamos um tratamento psiquiátrico na casa, o emprego flui e tudo anda – mas o salário paga as contas e só, e assim vai. A gente sempre tem uma história pra contar e dependendo do nosso humor no dia, ela é de chorar ou de pular de felicidade. Depende sempre do nosso ponto de vista.

Depois de ler as declarações dos pais da Yumi, a estudante que morreu soterrada na Ilha Grande, fiquei questionando: se está tudo bem na nossa vida, é por que, já já, acontecerá uma desgraça? “Eu te confesso que tinha medo. Tudo dava tão certo. Em 2009, eu falei para o Geraldo (marido), que estava dando tudo certo demais: será que vai inverter alguma coisa?”

Se a nossa vida ta boa é por que alguma coisa está errada e em pouco tempo nós voltaremos à realidade? (e a realidade é ser triste) Se você está feliz, não se acostume, a tristeza, senhora da nossa vida, logo bate à porta. É isso?Os pais estão em estado de choque com a perda da filha, dos negócios, dos amigos e vizinhos, eu sei, eu entendo. E não estou considerando a declaração dela como única fonte, a verdade absoluta, nada disso. É que este pensamento (que se tudo vai bem é porque alguma coisa ruim vai acontecer) é mais comum do que a gente imagina.

Sempre que paramos pra pensar na vida e ficar feliz com ela, passamos a “caçar” as dificuldades, as incertezas, os momentos tristes e aquilo que não se concretizou como gostaríamos. Às vezes chego a pensar que é mais fácil ser triste, já que estranhamos tanto os momentos de felicidade.

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Um 2010 cheio de felicidade

janeiro 5, 2010 · 1 Comentário

O ano começou, o calendário de 2009 foi jogado no lixo e passamos a usar uma agenda nova. No final do ano todo mundo fica mais amigo, mais solidário, mais sorridente. Faça uma retrospectiva das pessoas que encontrou e tente lembrar: algum deles estava emburrado e com a cara amarrada? Existem, é claro, mas é uma raridade considerável, tornando o sujeito uma figura lembrada. Meu avô, que espera a morte faz alguns anos (e ela, graças a deus, nunca vem), repetiu seu feito de natal: não passou com a família. Se todos vão para a praia, fica em casa. Se todos estão em casa, se tranca no quarto. Se todos vão ao seu quarto, finge que está dormindo com a tv ligada nos especiais da Globo. E por aí vai.

Meu avô com o falecido Padrinho João, em sua cara de desconfiado, típico dele

Às vezes acredito que quem espera a morte faz ela mudar seu itinerário, deixando assim, de ser visitado. Aos 80 anos de vida e 79 de documento, meu avô mantém sua rotina de falar pouco, salvo umas opiniões daquelas de chatear meia família, reclamando convites, visitas, a morte que nunca chega. De coração duro e daquele tipo nordestino turrão, divide opiniões, comove inocentes e dá assunto para intermináveis “cafés com discussão”, que é uma das especialidades da minha família materna. E por isso tudo é um homem chato? Nem de longe. Assiste às novelas, mistura personagens (do tipo que chama, eternamente, a Giovana Antonelli de Capitu), sabe do que se passa no noticiário e acha um absurdo as meias e cuecas endinheiradas. Torce para o Palmeiras, assiste aos jogos e, assim como o Zeca Pagodinho, é um “brahmeiro” de carteirinha.

Migrante daqueles que chegaram em São Paulo num pau de arara, “antes do metrô” e em busca de uma vida melhor, perdeu ‘um olho’ para o glaucoma e do que sobrou, vê só uns 30%, calcula ele. Das fotos espalhadas por seu quarto úmido, os netos são destaque, naquela impressão de que ninguém cresceu, todos são boas crianças e tem a vida toda pela frente. Meu vô, ao ouvir a minha voz depois de quase dois anos sem visita, abre um sorriso sincero, me abraça e pergunta se está tudo bem. Sempre quer saber se estou “trabalhando registrada”, responde às minhas perguntas sobre sua saúde e dificilmente me olha nos olhos. Sempre que pedíamos benção (ou a “bença”) pra ele, ele respondia “Deus a faça feliz”. Demorei anos para entender o que seria aquela frase, que em seu sotaque e dicção nada claros, transformava em ruído aquelas palavras tão poderosas.

Com 2010 começando, penso na profética frase que ele sempre emitia com sua benção e bons sentimentos por mim. E não é que Deus fez? Comecei o ano mais feliz do que nunca. Obrigada, vô.

Na minha última visita, no dia 26 de dezembro

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Dar presentes no final do ano

dezembro 16, 2009 · 2 Comentários

Quando criança, a coisa mais legal do natal era ganhar presentes. Na minha família, nunca tivemos a tradição de dar/receber presentes que não fossem dos pais, avós ou madrinhas/padrinhos, isentando as tias de gastar um tanto no final do ano. O hábito foi mudando, os pais davam um presente e participávamos do amigo-secreto com todo mundo, até chegar uma época que o único presente do natal era o do amigo-secreto.

Confesso que sempre achei meio chato, porque o que é legal do final do ano é presentear quem a gente gosta e esteve ao nosso lado nos 12 meses, não somente aquele nomezinho que a gente pega – e muitas vezes tem vontade de trocar. (aliás, aqui fica uma historinha paralela: todo ano, quem ficava por último para pegar seu “amigo-secreto”, tirava a minha vó. Todos os que a sorteava devolviam o papel, de tão difícil que é dar presente pra Dona Néia)

Ano passado, com mais criatividade e tempo nas mãos, fiz presentinhos para os amigos próximos. É uma delícia fazer presentes, as pessoas realmente ficam felizes em ganhar e a gente fica ainda mais feliz em dar, além de se sentir até orgulhosa. Alguns amigos em especial receberam presentes “de verdade”, daqueles que a gente garimpa pela cidade até encontrar o que combina de verdade, mas os que mais ouvi durante o ano foram os que ganharam “temperinhos”.

Presentear é uma forma de carinho, de dizer que gosta, que ama, que faz bem e que quer ver feliz. São poucos os momentos em que vivemos algo parecido com aquele de dar presentes, de ver o sorriso no rosto da pessoa e até uma certa timidez em ser presenteado. Batendo perna pelo centro da cidade e colocando a criatividade para funcionar, sempre consegui soluções baratas, cheias de carinho e, se bem embaladas, transformam-se num super presente de final de ano.

Não deixe de presentear quem te deu forças em 2009, quem esteve do seu lado ou ainda, aquele amigo que trouxe vida nova aos seus dias. Faz bem.

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To do List – Férias

dezembro 15, 2009 · 4 Comentários

A tão esperada FÉRIAS! está chegando, amanhã, depois das 17h, eu sou uma pessoa consideravelmente mais feliz e com amplas possibilidades de ser também uma mulher mais descansada. Depois deste ano lindo e *do cão*, é hora de pensar nos dias que virão, na maravilha de esquecer o celular despertador, de aproveitar o sol passeando pela cidade e ainda, resolver algumas “pendências” de 2009.

Quando as férias estavam num sonho distante, eu pensava em trinta coisas para fazer, em lugares para visitar, em situações para resolver, exames para marcar, dentista para ir, compras para fazer, cabelo para cortar, cartas para escrever, emails para responder, que… fiquei meio perdida. Confesso que das milhares de coisas que eu considero pendente a única que terá solução ainda em 2009 é o corte de cabelo, o resto, fica pra depois.

Afinal, férias é para des-can-sar!

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A renovação dos vínculos

dezembro 8, 2009 · 2 Comentários

O que nos faz ligados a outras pessoas são costuras invisíveis, que vão sendo renovadas de tempos em tempos. É a ligação que você tem com seus irmãos, o carinho com a mãe, a boa lembrança com tias e primos, amigos de anos e anos, além do relacionamento afetivo-amoroso, é claro. O tempo vai passando e, como todos nós mudamos, vamos conhecendo e nos aproximando da pessoa que o outro está se tornando. Às vezes é gostando das novas ideias, nos interessando por projetos saídos do forno, pelas novas paixões ou ainda, pela nova maneira da pessoa ver a vida. A gente passa a se envolver naquela “nova” vida da velha pessoa e com isso, passam-se meses, anos e décadas.

Sempre percebi o tamanho do desafio que é manter por anos um bom relacionamento. Quando aquele fogo da novidade dá uma apagada, quando os interesses não estão indo pela mesma direção, quando a vida passa a ter ritmos diferentes, rotinas idem, paixões quase antagônicas. Tem épocas que estamos mais jovens e dispostos, mais ávidos por novidades e até por renovações. Em outras, as circunstâncias da vida nos deixam sem tempo, sem pique, sem paciência para a euforia, sem ânimo para acompanhar o que instiga o outro. É difícil estar em sintonia com todos, é duro ver tudo isso acontecer e sentir como se aquela relação gostosa estivesse a caminho do ralo.

Ano passado tive uma crise séria com a minha mãe, de passar semanas e semanas sem nos falar e ver a nossa relação perder o viço, como se os fios usados para nos unir estivessem um tanto podres. Reconhecer que estamos perdendo e nos esforçar para retomar foi um passo importante para que o relacionamento tivesse um rumo novo, diferente e não menos delicioso que o anterior.

Lamento consideravelmente a falta da renovação com parentes, primos e um tanto de amigos que ficaram no meio do caminho. É preguiça de ligar, é falta de tempo para encontrar, são os desafios da vida adulta que nos deixam sem fôlego e aí, aquela pessoa torna-se praticamente uma estranha na sua vida, que sabe muita coisa e ao mesmo tempo, não sabe de nada. Aos poucos a comunicação vai diminuindo até acabar de vez, virando mais uma figurinha no nosso álbum de “pessoas que não fazem mais parte da nossa vida”.

Não é falta de carinho, não é ausência de amor, não é descaso com a amizade. É, talvez, aquela confiança absoluta de que a pessoa sempre estará lá pra gente – quando, sabendo da verdade, não é isso que acontece. Relacionamentos são como carros, que, mesmo comprados “zero”, precisam ir para a revisão, para o “alinhamento e balanceamento”, para a troca de óleo, para os reparos na pintura riscada. Na inocência de acreditar que tudo dura para sempre, vamos perdendo pessoas no caminho e como operadoras de telefone, ganhando novos “clientes” sem oferecer os mesmos benefícios aos antigos.

Depois de um ano decisivo, vejo muitos laços sem renovação, além de alguns novos e outros rompidos. Sofro consideravelmente com a perda, já que meu lado ultra-infantil gosta de ganhar sempre.

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