Publicado por: Denise em: janeiro 21, 2012
Uma das coisas que eu mais tinha dificuldade de entender em Curitiba era esta aversão que se tem em cumprimentar as pessoas. Vinda de Londrina, uma cidade quente e acolhedora, eu não entendia a ‘dinâmica’ da coisa, de conversar horas e horas com alguém um dia uma festa e na mesma semana, ao encontrar a mesma pessoa na fila do cinema e … esta virar o rosto pra não me cumprimentar. Isso aconteceu nos primeiros meses de mudança e se estendeu por todos os outros em que morei por lá – até o dia em que me vi não querendo cumprimentar as pessoas, igualzinho a tanta gente que conheci ao longo dos anos.
Nunca soube explicar este ‘fenômeno’, que acontecia em tudo quanto era lugar. Uma vez, eu encontrei uma ‘amiga’ de twitter no centro da cidade. Ficou evidente (meu marido também percebeu) que ela estava numa saia justa, porque, não tinha como desviar de mim e ela não estava nem um pouco afim de parar e nos cumprimentar. Paramos, trocamos ‘ois’ e algumas palavras e foi aquela coisa sem graça e esquisita. No mundo virtual, a simpatia reinava e eu peguei birra de um tanto que resolvi deixar estas relações pra trás.
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Eu poderia escrever caracteres e mais caracteres contando de situações que eu vivi dentro desta temática. Foi na fila do cinema, no supermercado, na rua XV, em baladas, na feirinha do largo. Quando era sol, óculos escuros foram a salvação (“oi? Não te vi, tava olhando pra outro lugar…”). A impressão que eu tive é que acontecia um misto de preguiça e mau humor. Por que parar e trocar duas palavras com alguém que eu nem gosto direito? (são as minhas impressões, só minhas…) Um amigo dizia que gostava mais de Curitiba do que de Londrina porque não se sentia obrigado a ser simpático nem cordial com ninguém, esta coisa de dar ‘bom dia’ sorrindo ou jogar conversa fora com alguém que não se gosta. Ignorava a pessoa e pronto, foda-se se ela o acha antipático.
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Já morando aqui no nordeste, a coisa é completamente diferente. Aqui em Sergipe (não sei se outros lugares) tem um jeito de ‘sinalizar’ o encontro com alguém: Ói, ela!, diz a pessoa que te encontra, num tom quase de ‘festinha’, de feliz em te ver. Já se abre um sorriso, levanta-se da mesa e abre os braços para um abraço. Uma delícia!
Acho que esta foi uma das coisas que mais gostei desde que cheguei aqui, da felicidade que é encontrar alguém. Embora viver a nossa vida, do nosso jeitinho, sem ninguém perceber, nos ver ou comentar seja realmente uma delícia (e é, eita coisa boa das grandes cidades!), é difícil de conviver, criar laços e receber um calor humano, tão necessário na nossa vida cotidiana. Só quando a gente supera períodos negros na vida é que percebe a importância deste ato tão simples, tão singelo.
Ói ela!, é o que vou dizer quando encontrar com você.
[...] muito desse texto da Denise, que descreve de forma bem clara e sucinta uma das piores manias do curitibano. É assim mesmo: a [...]
1 | Ronise Vilela
janeiro 21, 2012 às 9:40 pm
Sou curitibana, embora tenha morado em mil outros lugares, tive decepções terríveis com amizades de Twitter, salvo você, a Cris, a Fran, grandes presentes, mas acho que tem muita gente aqui que mantém a fama, a péssima fama, ou pega carona na fama antipática da cidade para expressar sua antipatia natural. Bjks!